02 - Descanse na Obra de Cristo: A Certeza e o Conforto da Nossa Salvação Mc 1.9-11
Descanse na Obra de Cristo: A Certeza e o Conforto da Nossa Salvação
No filme Coach Carter – Treino para a Vida, há uma cena marcante: um jogador que havia abandonado o time de basquete por causa das rigorosas exigências pede para retornar. O treinador impõe uma punição quase impossível de exercícios físicos e flexões dentro de um prazo curtíssimo. No último dia, o treino chega ao fim e o rapaz não consegue concluir a meta sozinho. Carter, mantendo sua palavra, manda o jovem embora.
É quando os outros membros da equipe assumem voluntariamente a responsabilidade e dizem: nós somos um time, e o dia ainda não acabou. Todos começam a fazer os exercícios restantes até a punição ser totalmente cumprida. Eles só puderam ajudar porque não estavam sob aquela sentença.
Nós também tínhamos uma punição grande demais para cumprirmos: a morte eterna, fruto da nossa rebelião contra Deus. O único meio de nos livrarmos da condenação eterna é se um substituto perfeito assumir a punição em nosso lugar. Marcos introduz Jesus em seu Evangelho justamente como esse servo sofredor, que assume o nosso lugar a partir do Seu batismo.
Jesus é humano para poder nos representar e é Deus para suportar a ira da justiça divina, morrer em nosso favor, ressuscitar e aplicar essa redenção ao Seu povo. É por essa razão que não precisamos viver desesperados ou aflitos: você pode descansar na obra de Cristo.
Você pode descansar na obra de Cristo sabendo que Cristo assumiu sua culpa
"Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e por João foi batizado no rio Jordão." (Marcos 1:9, ARA)
Jesus foi voluntariamente até João Batista para ser batizado. No entanto, o batismo de João era expressamente um batismo de arrependimento para a remissão de pecados (Mc 1:4). Se Jesus é perfeitamente santo e nunca pecou, por qual motivo Ele haveria de se batizar?
O próprio João Batista estranhou essa atitude e tentou impedi-lo, dizendo que ele é quem precisava ser batizado por Jesus (Mt 3:14). A resposta do Mestre foi clara: convinha cumprir toda a justiça (Mt 3:15). Jesus não precisava de arrependimento pessoal, mas, como nosso substituto, Ele assumiu publicamente a nossa culpa para cumprir toda a justiça de Deus em nosso lugar.
Imagine uma jovem que dá a entrada em uma casa própria e financia o restante. Pouco tempo depois, ela perde o emprego, as parcelas acumulam e o despejo parece certo. Sua mãe, então, assume a dívida e trabalha dobrado para quitá-la integralmente. Diante do credor, a jovem não deve mais nada. Da mesma forma, Cristo assumiu nossa dívida no batismo e pagou o preço final na cruz.
Muitas vezes, quando caímos em pecado e nos frustramos, somos tentados a duvidar da nossa própria salvação. Sentir dor e tristeza pelo pecado é um sinal saudável de arrependimento. Todavia, questionar a própria salvação após ter crido no Evangelho é questionar a suficiência da obra de Cristo. A dívida já foi paga; você não busca a santidade para ser salvo da morte eterna, mas porque já foi resgatado por Ele.
Você pode descansar na obra de Cristo sabendo que Cristo foi Ungido pelo Espírito Santo
"Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele." (Marcos 1:10, ARA)
A descida do Espírito Santo como pomba sobre Jesus retrata pureza, paz e graça. Embora fosse plenamente Deus, Jesus também possuía a natureza humana e, como homem, recebeu a capacitação e o fortalecimento do Espírito Santo para exercer plenamente o Seu tríplice ofício redentor: Profeta, Sacerdote e Rei.
- Como Profeta: Jesus é o porta-voz definitivo de Deus. Em João 11:25-27, Ele declarou a Marta que é a ressurreição e a vida. O termo "Cristo" significa literalmente "Ungido". Como Profeta ungido, Ele nos garante que todo aquele que nEle crê viverá eternamente.
- Como Sacerdote: Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Jesus não ofereceu sangue de animais, mas ofereceu a Si mesmo em sacrifício perfeito e definitivo pelos nossos pecados, abrindo nosso caminho até o Pai.
- Como Rei: Diferente de Israel em 1 Samuel 8:7, que rejeitou a Deus pedindo um rei terreno, o próprio Deus instituiu Seu Filho como o grande Rei soberano. Ele veio governar e salvar o Seu povo com poder.
Nós não precisamos de outros intermediários religiosos, de obras humanas suplementares ou de novas revelações para garantir nossa entrada no céu. Tudo o que necessitamos está em Jesus.
Quando caímos na armadilha do orgulho, achando que nossa piedade pessoal nos torna mais dignos do favor divino, cometemos idolatria. Mesmo assim, a nossa garantia eterna permanece inabalável, pois pertencemos a Cristo e fomos selados pelo Seu Espírito Santo como propriedade definitiva do Senhor.
Você pode descansar na obra de Cristo sabendo que Cristo alegra o coração do Pai
"Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo." (Marcos 1:11, ARA)
Ao contrário do primeiro Adão, que desobedeceu à ordem do Senhor no Éden e entristeceu o Criador, Jesus se submete de forma perfeita à vontade soberana de Deus. No batismo, ao assumir o compromisso de salvar os pecadores, a voz do Pai ecoa dos céus declarando Sua total aprovação e prazer no Filho amado.
Por causa das nossas transgressões, nós falhamos em agradar plenamente a Deus. Muitas vezes enfrentamos chuva e cansaço para ir trabalhar, mas vacilamos quando se trata do culto ao Senhor. Gastamos horas nas telas e negligenciamos a oração e as Escrituras; somos impacientes e toleramos o rancor com nossos irmãos em vez de exercermos o perdão.
Porém, no que diz respeito à nossa salvação, o Pai não olha para os nossos méritos manchados, mas olha para a justiça perfeita de Cristo atribuída a nós. Em Jesus, a ira divina foi satisfeita na cruz e sobre nós foram derramadas a graça e a misericórdia (Jo 3:16).
Como nos lembra Gálatas 4:4-7, na plenitude dos tempos Deus enviou Seu Filho para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção. Nós não somos mais escravos do medo da condenação, mas filhos amados e herdeiros de Deus por meio de Jesus Cristo.
O Nosso Refúgio Diário
O grande desafio da nossa caminhada cristã reside no coração idólatra, que insiste em confiar nas próprias forças ou tenta barganhar com a graça de Deus. Julgamos o irmão que tropeça como se a cruz não fosse suficiente para ele, ou relativizamos o pecado presumindo o perdão de forma leviana. Ambas as posturas ignoram o verdadeiro evangelho.
Deus nos chama a sermos adoradores e servos sinceros. Precisamos reconhecer nossa fragilidade diária para glorificarmos ao Senhor até mesmo pelo simples desejo de orar, sabendo que esse anseio é gerado pelo próprio Espírito em nós. É o Espírito Santo quem nos capacita a amar quem nos decepcionou, a estender a mão ao fraco e a ter paz mesmo diante da dor ou da proximidade da morte.
Em Marcos 10:38, Jesus perguntou aos Seus discípulos se eles poderiam beber o cálice e suportar o batismo que Ele enfrentaria. O cálice era a ira de Deus derramada na cruz, e o batismo era a Sua morte vicária. O batismo nas águas do Jordão foi o prelúdio do calvário.
Jesus desceu às águas, suportou a cruz, quitou a dívida do nosso pecado e ressuscitou triunfante ao terceiro dia. Em Cristo, morremos para o pecado e renascemos para a glória de Deus: é unicamente nisto que a nossa alma pode descansar com segurança.
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