Proclame o Evangelho: O Chamado de Todo Arauto de Cristo Mc 1.1-8
Proclame o Evangelho: O Chamado de Todo Arauto de Cristo
Quando pensamos na figura de um arauto na antiguidade, lembramos daquele que entrava em uma cidade para anunciar a chegada de alguém importante. Normalmente, quando um rei ia a algum lugar, enviava o seu mensageiro para anunciar a sua vinda e preparar o local para recebê-lo. Vemos isso claramente quando Jonas entra em Nínive proclamando o juízo iminente de Deus (Jn 3.4).
Da mesma forma, João Batista surge no cenário bíblico como o arauto do Rei Jesus, preparando o coração das pessoas para receberem o Messias. O evangelho de Marcos começa afirmando: "Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus" (Mc 1.1). Do profeta Malaquias até o nascimento de Jesus, o povo viveu aproximadamente 400 anos de silêncio profético, período em que Deus não se revelou de forma especial. Então, esse silêncio é quebrado quando João Batista começa a anunciar o arrependimento.
Hoje, a igreja não vive em anos de silêncio: toda a revelação de que necessitamos Deus já nos entregou nas Escrituras. A nossa função agora é proclamar o evangelho de Jesus Cristo e a sua segunda vinda, para que outros venham a crer e se arrepender. Nós também somos arautos: anunciamos que o Rei que veio, morreu, ressuscitou e está voltando.
Como devemos proclamar as Boas-Notícias de Jesus Cristo, Filho de Deus?
1 - Servindo com fidelidade (Mc 1.2-6)
"Conforme está escrito na profecia de Isaías: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho; voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados. Saíam a ter com ele toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. As vestes de João eram feitas de pelos de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre."
(Marcos 1:2-6, ARA)
O ministério de João Batista é introduzido conectando as profecias do Antigo Testamento em Malaquias 3.1 e Isaías 40.3. Ele é a voz que clama no deserto para endireitar veredas e preparar o caminho para o Rei grandioso e Servo.
João assume plenamente a postura de servo. Rejeitando o luxo e o conforto das vestimentas típicas dos arautos da corte, ele se veste de pelos de camelo e se alimenta do que encontra no deserto. Assim como o profeta Elias, ele enfrentou um tempo de apostasia e abandono da fé para pregar corajosamente o arrependimento e confrontar autoridades.
Nós temos essa mesma missão: proclamar a Cristo em nossa cidade, para os nossos familiares e vizinhos, nos dispondo a servir com fidelidade à Palavra de Deus.
Não devemos tornar o evangelho mais palatável.
Não devemos forçar o outro ao arrependimento nem menosprezar as pessoas.
Devemos anunciar a segunda vinda de Jesus e a realidade de que a humanidade pecadora necessita de um Salvador.
A salvação custou caro para Cristo, mas é um presente gratuito para o pecador arrependido.
Precisamos de coragem para anunciar a mensagem a todos, e não apenas aos que se mostram bem-vestidos e amistosos.
Fazemos isso na total dependência da graça soberana do Senhor e da capacitação do Espírito Santo, pois, sem Ele, o fracasso é certo.
2 - Engrandecendo a Cristo (Mc 1.7-8)
"E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias. Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo."
(Marcos 1:7-8, ARA)
Mesmo sendo o único profeta que teve o privilégio de conhecer pessoalmente o Messias durante seu ministério, João nunca se colocou em pé de igualdade com Cristo. Ele reconhecia a sua inferioridade diante do Santo e Salvador do mundo, declarando não ser digno sequer de desatar as correias das Suas sandálias como um escravo.
Com toda a influência que exercia e as multidões que atraía, João Batista poderia ter buscado prestígio religioso ou posições elevadas. Em vez disso, ele não usou sua projeção para benefício próprio, mas unicamente para exaltar e engrandecer a Cristo. João entendia com clareza a diferença entre o pecador e o Salvador.
O apóstolo Paulo expressa o mesmo sentimento: ao pedir que sejamos seus imitadores (1Co 11.1), ele não presume perfeição moral, mas reconhece sua própria fraqueza na carne (Rm 7.18-19) e busca em tudo glorificar a Deus (1Co 10.31-33).
Da mesma forma, a nossa boa conduta, o nosso testemunho, a nossa família e o nosso processo de santificação devem existir para engrandecer a Cristo, e nunca a nós mesmos. As pessoas, ao olharem para a nossa caminhada, precisam glorificar a Deus e ver a grandeza de Jesus refletida em nós.
Proclame a Cristo servindo em fidelidade e engrandecendo o Seu nome com toda a sua vida. Proclamar o evangelho é um privilégio exclusivo dos salvos e uma tarefa urgente e temporária. Todas as lutas, cansaços e dificuldades que enfrentamos em nosso chamado terão fim definitivo no glorioso dia em que o nosso Rei retornar.
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